terça-feira, 11 de outubro de 2011

A despedida de um amigo

 Costumamos ouvir as pessoas dizerem que nada é para sempre.
 Eu gosto muito de cachorros...e sempre tentamos ter um.Mas nunca tive a alegria de ter um bichinho que ficasse comigo por muitos anos...ou que atingisse o máximo de idade que um cachorro pode ter.
 Na minha infância pobre os cachorros que tive raramente eram vacinados...o que os levava a morte precoce em pouco tempo.
 Mas com o Roger foi diferente.Eu tinha condições de dar a ele tudo o que ele precisava,e mesmo sendo um cachorro que tinha problema de Epilepsia eu tinha condições de cuidar dele e de comprar todos os medicamento necessários para que ficasse tudo bem.
 Mas sempre pensávamos nos efeitos colaterais das altas doses de gardenal que ele tomava.Sempre pensávamos que talvez chegaria o momento em que os remédios não conteriam mais as crises convulsivas do Roger e que talvez tivéssemos que tomar a difícil decisão de sacrifica-lo.
 E assim se passaram 5 anos.Eu nunca tive um cachorro que ficasse tanto tempo comigo.


Tudo parecia estar bem dentro da nossa rotina de passeios,de convulsões,brincadeiras e remédios.
 Mas nos últimos tempos eu notava que o Roger estava cansado ...algo fora do comum.As vezes ele pedia para parar durante os passeios...e quando tudo terminava ele ficava exausto.

 Como ele tomava muito gardenal...pensamos que poderia ser um efeito do remédio.E que tudo fosse normal.
 Mas um dia o Roger espirrou...e gotículas de sangue saíram de seu focinho.
 Procuramos o veterinário que estava disponível naquele dia,embora não fosse o que realmente cuidava do Roger,pois não conseguimos encontra-lo nessa ocasião.
 Ele diagnosticou como um resfriado...e passou alguns remédios.Mas nada melhorou e o Roger começou a sangrar o focinho.Conseguimos encontrar o medico dele...e após alguns exames,o diagnóstico foi Babiose,ou a doença do carrapato.
 Ainda que o cachorro seja limpinho,basta que ele leve uma picada de um carrapato infectado pela doença para que ele fique doente.E foi o que aconteceu com o Roger.
 Por ser um cachorro muito forte..ele não deu sinais de que estava doente.A não ser pelo cansaço.

Começamos uma luta pela vida de nosso amiguinho.Coqueteis,Vitaminas,Antibióticos.,fizemos todo o possível para que ele saísse dessa doença.Mas nada parecia dar certo.O sistema imunológico do Roger foi atingido e em virtude disso outros problemas começaram a surgir...como inchaço nos testículos...infecção nos olhos,tudo isso combatido com fortes medicações.
 Foi triste ver o Roger com seu focinho sangrando constantemente e estávamos sempre por perto para deixa-lo limpinho.
 Com o tempo ele foi perdendo a força ...para se levantar,andar...e já não conseguia mais comer,pois vomitava qualquer coisa que dessem para ele.
 Ele sempre foi um cachorro diferente.Me lembro que quando mudamos de residência,ele não entendia que poderia achar um cantinho para fazer suas necessidades no quintal,e por causa disso ele nos chamava para leva-lo até a rua.Foram meses até ele entender que em algum cantinho ele poderia fazer ....e mesmo doente ele se esforçava para ir ao seu banheirinho.

Chegou uma fase em que ele não conseguia mais levantar sozinho e eu o ajudei pela ultima vez a ir para seu cantinho fazer suas necessidades.
 Ele se levantava com muito esforço...mas caia me seguida.Enquanto conseguia se levantar...eu o segurava...e o ajudava a andar.


 Chegou um momento em que ele não se levantava...e eu e minha Mãe cuidamos dele por uma noite inteira,trocando de posição para que ele não ficasse dolorido.
 Com dor no coração,percebemos que nosso amiguinho não se recuperaria de novo.Só restava ficar perto dele e manter a sua boca molhada ...com uma seringa.
 Não queríamos ver nosso Roger ser sacrificado.Ou chamar alguém para aplicar uma injecção fatal em suas veias.Talvez aquele sofrimento se prolongasse por muitos dias ...e como pessoas que acreditam em Deus,colocamos o caso nas mãos dele.
 Após algumas noites mal dormidas...conversamos com nosso amiguinho.E dissemos que estava tudo bem...que estávamos ali e que ele poderia descansar.
 Na manhã seguinte ao raiar o dia...eu o abracei pela ultima vez.E ele se foi.




 As lembranças permanecem...todas as vezes que eu volto do trabalho e ele não está me esperando para passear. Todas as vezes em que vamos ao super mercado fazer compras e voltamos para casa, e ele não está lá como uma criança,esperando para ver o que vai ganhar.Claro que nunca faltou a salsicha dele.
 As lembranças acontecem sempre que uma garrafa pet vazia está no quintal,e ele não está lá para morde-la e brincar com ela,ou vir nos mostrar para que corrêssemos atrás dele.
 Mas ele foi especial para nós e sempre vai ser o melhor cachorro que alguém poderia ter tido...não importa quem venha após ele,se é que vamos ter um novamente.
 Memorias de um Cachorro...é uma forma de fazer com que essas pequenas lembranças não se percam...e que mais pessoas venham conhecer o Roger.
 Desejo que você aproveite o máximo os momentos com seu amiguinho.Que dê a ele muito carinho e atenção e que se tiver que adotar um cachorrinho,não pense 2 vezes,pois são especiais.
 Abraços 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Não vou esquecer.

 Eu não vou esquecer da nossa amizade.
 Minha amizade com o Roger também foi algo especial.
 Nos divertíamos muito.E o Roger era sempre pontual.Ele sabia exatamente o horário em que eu chegava  do trabalho e também estava me esperando .Nunca vou me esquecer da maneira engraçada que ele latia quando eu chegava.Era uma mistura de latido com uivo...algo muito engraçado.

E assim que eu entrava ele pegava minha mão com sua boca enorme e me levava até minha Mãe.Era como se ele quisesse contar que eu havia chegado.E a partir daí,ele me seguia por todos os lados,até que encontrava a sua coleira e vinha me mostrar.Era o jeito dele dizer que eu tinha que dar umas voltas com ele pelo quarteirão,pela pracinha que fica perto da minha casa...enfim,foi sempre assim...durante todos os anos que ele esteve conosco.
 E quando passeava com ele tinha que estar muito atento...pois ele não gostava que as pessoas passassem perto da gente.Me lembro de uma ocasião em que ele pulou sobre um homem que passou perto de nós...era complicado.Passear com o Roger exigia muita atenção...

 Não vou me esquecer do dia em que eu tive que entrar em baixo do carro com o motor ligado,precisava verificar um barulho que vinha do escapamento.
 O Roger entrou em parafuso...ele tentou por todas as maneiras me tirar de lá...tentava entrar por baixo das minhas pernas,deitou no chão para ver o que eu estava fazendo e não se conformando com isso...foi procurar minha Mãe e como sempre fazia com todos nós a trouxe pela mão para que ela visse o que estava acontecendo.
 Não vou me esquecer quando me contaram que o Roger chorava uivando por alguns dias quando eu fiquei de recuperação em uma Clínica por 1 mês.
 Não vou me esquecer do quanto ele brincava com o Homero,meu irmão ,e quanto ele ficava feliz em vê-lo depois de semanas de viagem.
  Um amigo inesquecivel...e memorias de um cachorro é uma forma de não deixar essas lembranças se apagarem.
 Até a próxima!

domingo, 9 de outubro de 2011

DEDICAÇÃO

Se existe uma palavra que define o relacionamento de minha Mãe com o Roger essa palavra se chama dedicação.


  Posso dizer que ela nunca gostou muito da idéia de ter um cachorro.Mas por mim,que há muitos anos desejava  ter um, ela aceitou receber o meu cachorro Roger,e cuidar dele até que eu conseguisse ser tranferido do meu trabalho em Marilia para Presidente Venceslau.

E essa dedicação aumentou cada vez mais a medida que os problemas do Roger aumentavam também.Como um cachorro Epileptico ele necessitava tomar medicação constantemente.E para piorar a situação os horários para medicar o Roger variavam .As vezes ele sofria um ataque e precisavamos dar a medicação a cada 3 ou 4 horas,até ele sair da crise...e voltarmos aos horários normais.
 Varias foram as madrugadas...despertadas pelo relógio para medicar nosso amigo.Varias noites de sono interrompidas para socorre-lo ao convulsionar. E tudo isso era muito complicado,pois quando o Roger sofria os ataques ele urinava por toda a varanda...que precisava ser lavada imediatamente.Varias foram as vezes em que lavamos varanda...e todo e qualquer  lugar que o Roger convulsionou,altas horas da noite.
 Minha Mãe uma auxiliar de enfermagem a mais de 20 anos...cuidou de todos esses detalhes...dos banhos do Roger,da alimentação.As vezes ele não comia somente ração,precisava de algo a mais...e ela sempre cuidou disso com todo carinho.


 Valeu a pena?Sim..valeu.
 Cada vez que o Roger via a minha Mãe se levantar pela manhã ele dizia bom dia balançando sua calda a toda velocidade.
 Me lembro de uma ocasião em que minha Mãe precisou sair na chuva para recolher uma roupa ou algo assim,e quando o Roger viu veio correndo até mim...era a maneira dele me contar que ela estava se molhando e na cabecinha de cachorro dele ele não entendia aquilo e veio me pedir ajuda....para tira-la de lá...e ele tinha um jeito curioso de fazer isso.Pegava a minha Mão com a sua boca enorme e me puxava até onde estava acontecendo o problema.Era assim com todos nós,cada vez que ele entendia que precisava chamar nossa atenção para algo.


 E ele era pontual sempre.Todas as manhãs ele esperava a volta da minha Mãe do trabalho,deitado junto ao portão.Era o primeiro a dar bom dia a ela.

E era o nosso guarda.Me lembro de uma ocasião em que minha Mãe estava passeando com ele e ao encontrar um amigo...começou a conversar.Esse amigo gesticulava muito ao conversar e ao contar uma situação,gesticulou apontando o dedo em direção a ela.Foi o suficiente para que o Roger avançasse nessa pessoa...um cão de guarda por natureza.

  Coisas assim...simples,mas que tocavam o nosso coração,faziam com que o nosso fardo fosse leve,faziam com que todo cuidado com ele,compensasse...um querido,um amigo,nosso cachorro.
 Abraços.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Um amiguinho com problemas.


Fim do ano de 2005,o Roger se encantou pela caixa


 O Roger se tornou um membro da família...um bebê que recebia o carinho e atenção de todos.Ele foi adoptado por todos...e é impressionante o amor incondicional de um cachorro pelas pessoas que cuidam dele e que estão a sua volta.
 O tempo foi passando e ele foi se tornando cada vez mais bonito.Não como um filhotinho ...mas como um cachorro adulto.Ficamos sempre orgulhosos quando íamos passear com ele e as pessoas olhavam impressionadas e intrigadas ao mesmo tempo e queriam saber qual a raça do Roger.
Roger deixando de ser filhote

  É claro que ele nos deu algum trabalho  quando pequeno.Levou tempo para fazer ele entender que não poderia destruir os meus sapatos nem arrebentar as sandálias da minha Mãe.Levou tempo para ele entender que não poderia entrar escondido em casa...e morder as roupas,deixando-as furadas.Mas tivemos paciência e ele aprendeu tudo ...e se tornou um cachorro muito querido.
 Mas com o tempo fomos entender que o Roger precisava de ajuda.A medida que ele foi crescendo,e ainda com pouca idade,conhecemos um problema que o Roger tinha e que o acompanharia por toda vida.
 Esse problema exigiria muita atenção,tempo,dinheiro,e sofrimento,porque todos nós já o amávamos.
 Foi triste o dia em que vimos o Roger sofrer sua primeira convulsão.Achamos que íamos perde-lo.
 Os olhos dele perderam a vida ...e ele se debatia violentamente.Sua língua ficava roxa...e tudo o que podíamos fazer era segura-lo firmemente para que ele não se machucasse.E ficar atento para que ele não se engasgasse com a própria língua.
 Ele tinha pouca idade...uns 2 anos.E o levamos ao Veterinário.Ele foi examinado e o medico fez algumas perguntas.A conclusão é que o Roger sofria de um problema neurológico.E não tínhamos como ter um diagnóstico exacto,mas,segundo o medico,tudo levava a crer que ele tinha Epilepsia.
 Isso mesmo...ele era um cachorro Epiléptico,e tinha que tomar Gardenal.E o veterinário nos disse que ele deveria começar a fazer o tratamento por um tempo,e depois suspenderíamos.E se durante o tempo em que o medicamento fosse suspenso ele voltasse a ter novas crises de convulsão,seria um problema cronico,ou seja,ele teria que tomar Gardenal o resto da vida.
Roger Sonolento

 Fizemos o teste...e nos animamos...porque o Roger não teve mais convulsões.Mas essa alegria durou cerca de um ano...pois nos mudamos para uma outra Cidade,em 2007.E tivemos o azar de sermos vizinhos de uma casa que nesta época estava em construção.O Roger estava dormindo...e o pedreiro ao lado,deixou que um enorme tambor caísse em nosso terreno. Nosso amiguinho levou um grande susto,ao ponto de sair correndo e gritando...e deste dia em diante,ele passou a ter crises de convulsão que o acompanharam até o fim de sua vida.
 Ele tinha que tomar doses altíssimas de Gardenal de 6 em 6 horas,e ainda assim,se ficasse muito tempo sozinho,ou se levasse um grande susto,ele convulsionava.E isso era muito triste.A medida que os anos foram passando as crises foram se tornando cada vez mais violentas,mesmo com o uso do remédio.
 Mas ele era nosso filhote.E para nós não importava ...pois o amávamos.A conta na farmácia aumentou muito...as despesas no veterinário também...mas nós não abandonaríamos um amigo.E entendemos,que se o Roger não fosse encontrado por nós...provavelmente ele não sobreviveria muito tempo.Nós fizemos o nosso melhor por ele.
Adicionar legenda

 E valeu a pena.Nas próxima postagem vou falar sobre o carinho do Roger pela gente...e mais um pouquinho sobre como ele foi um cachorro especial
 Abraço

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A chegada de um amigo.

Roger com cerca de 45 dias
 Roger...um bebê que eu encontrei no fundo do meu quintal quando morava em Marília-SP.
 É claro que eu me apaixonei por ele...não tinha como isso não acontecer..Ele era lindo...um cachorrinho muito simpático e muito interativo.Desde bebê ele sempre parecia entender o que queríamos dizer e sempre procurou a nossa companhia.
 Nessa fase ele estava deixando de mamar...e eu me lembro que ele começou a comer ração.Como eu disse na primeira postagem,meu amigo tinha uma cadela da raça Pastor Alemão chamada Hana...e o Roger adorou comer ração...e um belo dia essa bolinha de pêlo resolveu comer ração justamente quando a Hana estava comendo.Inocente ele deve ter entendido que poderia comer com ela e o resultado foi que ele levou uma mordida na carinha.Abriu um corte próximo a boca e quando eu ouvi o seu grito imediatamente eu o peguei no colo.Ainda me lembro que as suas 2 patinhas apertaram o meu braço,devia  estar doendo muito.
 Eu o levei ao Veterinário...o corte não tinha sido tão profundo.Mas foi o suficiente para que deixasse uma cicatriz que o acompanhou por toda a vida.Quando cheguei ao veterinário,todos queriam saber de que raça ele era...eu disse que não sabia,pois tinha encontrado o Roger.Então todos tinham uma opinião sobre qual deveria ser a raça do Roger...e isso também o acompanhou por toda a vida.Sempre perguntaram:Qual a raça dele???E a pergunta: Ele é cego???Essa pergunta era comum também porque com o tempo apenas um olho do Roger ficou azul,enquanto o outro era castanho.No fim das contas...a veterinária colocou em sua carteirinha:SRD(sem raça definida).Mas esse veredicto nunca satisfez as pessoas que conheceram o Roger.
 Entre muitas opiniões que ouvi a que mais me convenceu é de que ele era uma mistura de Boxer,pela sua pelagem tigrada e seu corpo robusto e com a raça  Husky Siberiano...pelo azul dos olhos e pelo formato da sua cauda que mais tarde ficou enrolada.
Cão da raça Boxer,de onde o Roger possivelmente  herdou a pelagem tigrada e o porte

Olho azul do Husky,provavelmente uma herança do Roger
 Isso nunca foi importante...era o meu cachorro.E era muito especial.Eu o levei para casa...para minha família,junto com sua Mãe e o seu irmão Shaik.Na chegada ele já foi mostrando que era diferente.Imediatamente cheirou os pés da minha Mãe e brincou com meu irmão,enquanto os outros ficaram tímidos.Ali estava um amiguinho que se tornou um membro da família.
 Ele viajou no meu Fiat Uno...e mais uma vez mostrou que era diferente.Ao invés de ficar no assoalho do carro,ou no banco...ele queria ficar no meu colo,e foi assim que ele viajou os 270 km de Marília a Caiuá e a cada parada nos pedagios provocava o encanto nas pessoas e a pergunta inevitável:de que raça ele é?
Roger com cerca de 2 ou 3 meses engravatado.
 Foi uma alegria receber o Roger.Ele mudou a rotina da casa...e era muito especial.Eu o deixei com minha família,e sempre tinha noticias dele.Como o dia em que as patinhas dele foram infectadas por uma alergia e ele chamava minha Mãe e meu irmão para cuidar dele,choramingando e arranhando a porta,pois tinha muita coceira.Foi uma madrugada inteira cuidando do Roger colocando gelo nas suas patinhas para que ele ficasse aliviado,e viagens até a cidade vizinha para comprar uma pomada que resolvesse o problema.
 Devido a isso,nos primeiros meses o Roger não poderia ter contato com a terra do quintal.E por isso tinhamos que deixar que ele ficasse em casa.Desde bebê ele pedia para sair para fora para fazer suas necessidades...choramingava ou tocava nossas pernas com sua patinha...era assim sempre,um cachorrinho muito comunicativo,desde pequenino e os anos passaram e cada vez mais conhecíamos o Roger e chegávamos a conclusão de que ele era muito especial.Com o passar dos anos,descobrimos que ele era muito especial e que precisava muito da nossa ajuda.Porque??Você vai descobrir isso nas próximas postagens.